sábado, 11 de maio de 2013

Desventuras em Série

Autor: Lemony Snicket
Tradução: Carlos Sussekind/Ricardo Gouveia



Gênero: Fantasia gótica
Editora: Cia das Letras
Nº de Páginas: Por volta de 300 cada...



"Meu amor voou como uma borboleta
Até a morte pousar como um morcego."




Série de treze livros [coisa que acabei de descobrir, pois até agora só li até o oitavo e pensei que fossem onze...] escrito por Daniel Handler, que se utiliza do pseudônimo Lemony Snicket. As ilustração são obra de Brett Helquist. Tanto Snicket quanto Helquist aparecem ocasionalmente na obra, por meio de citações ou não. A narração alterna de primeira para terceira pessoa durante a leitura, sendo que o autor se faz personagem e conta alguns detalhes sobre si [bem aos poucos, para alimentar a curiosidade...]. Snicket está envolvido na trama dos Baudelaire, e para revelar a triste história deles, escreve enquanto se esconde e envia os manuscritos de forma inusitada a seu editor.

Três irmãos passeavam pela praia quando receberam a notícia de que seus pais haviam morrido em um terrível incêndio que destruíra sua casa. A partir de então, Violet [14 anos, uma jovem inventora que tem o costume de prender o cabelo com uma fita para que não recaia sobre os olhos quando está concentrada numa criação], Klaus [12 anos, leitor voraz e com a incrível capacidade de lembrar de todos os livros que já leu, é um grande pesquisador], e Sunny Baudelaire [é um bebê que ainda não aprendeu a andar e fala de forma ininteligível para a maioria, como é comum entre os bebês. Possui quatro dentes afiadíssimos] passam a ter de morar com diferentes tutores, que nunca são o que se esperaria deles. O primeiro tutor indicado pelo Sr. Poe [banqueiro que ficou responsável pela fortuna Baudelaire, e que possui uma tosse intermitente] é o Conde Olaf. Olaf é um velho ator mal-humorado e ganancioso, extremamente magro, com uma monocelha e a tatuagem de um olho no tornozelo.

Tudo que Olaf deseja é a fortuna dos órfãos Baudelaire, que só poderá ser tocada quando Violet atingir a maioridade. Seu primeiro estratagema para conseguir isso é tentar se casar com a garota durante uma peça teatral. As crianças conseguem fugir dele usando suas habilidades, e então passam a morar com uma nova tutora. Porém, a cada novo lar a que os Baudelaire chegam, são perseguidos por Olaf e sua trupe de atores [as duas mulheres de cara empoada, o cara de mãos de gancho, o ser que não parece nem homem nem mulher... não me lembro se tem mais], que disfarçados tentam sequestrar as crianças. Os Baudelaire acabam sempre por ter de se virar sozinhos, pois os adultos que os cercam nunca acreditam neles, ou são extremamente obtusos [na verdade, a sensação que se tem é de que as crianças são os únicos seres sãos da história. E talvez seja isso mesmo que se queira passar: as crianças nunca são ouvidas com a devida atenção].


Com o seguir da história, os Baudelaire passam a tentar decifrar o mistério que cerca a morte dos pais. Ao mesmo tempo em que têm de se livrar da constante e aterradora perseguição de Olaf e seus comparsas. Olaf parece sempre saber onde eles estão, e dá um jeito de se  aproximar utilizando disfarces meio ridículos, que os Baudelaire sempre desvendam na primeira olhada, mas que enganam os adultos perfeitamente.  


Autor: Nasceu em São Francisco, em 1970, é casado e tem um filho. É conhecido por incursões no mundo musical, além de ser escritor de novelas e cineasta. Seu maior sucesso foi Desventuras em Série, sendo que foi criado como um desafio de sua editora, que lhe solicitou uma história que ele gostaria de ter lido aos dez anos.








C.P.:
Apaixonada que sou por contos infantis, que não são tanto assim, não poderia deixar de ler este. Primeiro havia visto o filme que foi interessante, mas como todo filme acabou por deturpar um monte de coisas, além de só contar a história até o terceiro livro. Gosto do estilo de escrita, como quando ele quer demonstrar a escuridão de um poço de elevador e deixa duas páginas em preto. Ela também faz uso de anagramas para os nomes dos disfarces do Conde Olaf, coisa que se perde na tradução. As ilustrações são singulares, e uma coisa que notei foi que Sunny tem quatro dentes na parte superior da boca nelas. Penso que foi um erro de interpretação de Helquist, uma vez que ela teria de ter dentes em baixo para poder roer alguma coisa. E temos é claro Berenice, o mistério dos mistérios [Berenice é o nome de um conto de Edgar Allan Poe, e Poe o nome de um personagem de Snicket]. O autor faz alusões o tempo todo ao caráter trágico a história, e incita o leitor a largar o livro e ler algo menos sombrio.


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