quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Um Cavalheiro é Simplesmente um Lobo Paciente

          Fui tomado por simbólico, coisa que certamente não sou. Eis que durante um encontro entre amigos, entre um drinque e outro me pediram que esclarecesse um fato referente a uma primorosa dama. Não é correto jogar a lama a honra de uma mulher, mas deixar seus amigos entediados em uma festa também não é fato corriqueiro. Pus-me então a desvelar um detalhado retrato do ocorrido, senão em realidade, pelo menos em minha imaginação já um tanto enevoada pelo avançar da noite, com o sucessivo esvaziar e encher de copos. Bem sabido é - disse eu, com a voz um tanto pastosa - que D. Charlotte, possuidora de ostensivos mamares - tinha de falar na linguagem deles, para impressiona-los de imediato - já não possui a tão estimada capacidade de ruborizar! Poderia ter parado aí, envergonhado de minha atitude pouco cavalheiresca, contudo o vulgar expresso nos olhos do populacho me atrai mais que a bebida amarelenta e gelada, que mais uma vez me foi servida. Com os olhos semicerrados, como se para me lembrar melhor do ocorrido continuei meu relato, apesar de ser o torpor do álcool a me pesar os sobrolhos. Estava eu, um quarto para as nove, postado a frente de um portal, bem conhecido de vocês, quando vi um vulto coberto por uma capa negra de veludo. - tem que se admirar a minha capacidade poética, dando o devido peso ao fato de eu não estar mais me aguentando no meu. - O vulto se movia rápido, com a cabeça encoberta. Mas olhos de águia como sou e bom de formas, logo reconheci o contorno do voluptuoso corpo de Charlotte. - Tenho que confessar que percebi meu exagero nos olhos um tanto duvidosos de meus companheiros. Tomei um pequeno gole e me refiz do golpe de minha vaidade ferida. Como ousavam duvidar de minha palavra? - Como era noite entrada, e não faz meu feitio levantar falsos testemunhos, passei a seguir o objeto de minha dúvida. - Olhei em torno para me certificar de que havia reganho a atenção e carinho de meus camaradas de noites infindas, e então prossegui.

          Ao perceber que alguém se assomava em seu encalço, a impudente dama apressou o passo, e eu o meu. O medo pareceu domina-la, então ela correu, derrubando o capuz que encobria sua identidade. Num movimento surpreendentemente sublime, assomou e desceu-lhe pelas costas seu brilhante e sedoso cacheado louro. - Agora sim! Todos olhavam atentamente, aguardando o momento em que eu a desmascararia, relegando-a a mais subjugada humilhação. Como a humanidade é torpe, pensei, e como sou um perfeito e digníssimo representante dela. Olhei-os do alto, com toda a superioridade presumida de quem sabe mais, respirei fundo e continuei meu relato. - Perturbada pelo ocorrido, ela voltou-se, e mirou em mim seus olhos de fera acuada. Por um instante me perdi na floresta selvagem de seus olhos verde escuros. Me aproximei e ela estacou, com olhos suplicantes. Toquei seu queixo com minha mão enluvada e disse-lhe num sussurro: Não me olhes tolamente doce criança. Bem sabias o que te esperava ao sair a estas horas, com o corpete mal ajambrado. Coloquei o braço em torno de seus ombros e levei para casa meu troféu recém-conquistado. - Olhares de deslumbre me eram dirigidos de todos os lados. Sorri, meu sorriso mais viscoso, terminei minha bebida e deixei o local. Uma saída triunfal, uma bela história e mais uma reputação destruída.




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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Karma

Tem uma hora que as coisas não fazem muito sentido. Então, o que se poderia pensar senão que realmente estamos num ciclo eterno de reencarnações? Eu tenho a forte impressão de que, em uma vida passada bem próxima, fui um escritor. Um daqueles velhos escritores falidos, viciados em uísque e cigarro, abandonados pela esposa. Esposa esta que fugiu com meu melhor amigo. Isto explicaria a desconfiança e o desgosto pela iníqua humanidade. E lá está ele, sentado no lugar mais escuro e imundo do bar, quase desmaiado, remoendo seu ódio, sem forças para levantar. E cá estou eu, remoendo dores desconhecidas, sem saber que caminho tomar.

terça-feira, 19 de abril de 2016

The Backwater Gospel



          Achei esta animação porque achei uma música de Justin Cross que a usava de plano de fundo [não, não lembro o nome da música]. Como faltavam pedaços, fui buscar maiores informações. Este foi um projeto, workshop (Bachelor film project 2011, The Animation Workshop), em que Bo Mathorne dirigiu. Estudante brilhante, eu diria. Ele une um cenário sombrio do velho oeste a uma crítica religiosa escancarada.

A cena se passa numa cidadezinha no meio do nada, chamada Backwater. Os personagens tem um estilo meio amarelado e cheio de sombras [me lembra um pouco Gorillaz]. Há um daqueles mendigos bardos, tocando violão e meio que desafiando o líder religioso local. Até que é anunciada a chegada do coveiro. Todos entram em pânico. O coveiro é um anunciador da morte, [o Anjo da Morte], e ainda não há nenhum morto. Morte e medo dançam caoticamente durante todo o tempo.




"The Undertaker raises no hand
but I’ll fear him just the same.
His presence foretells both blood and Death
but his shoulder’s not to blame.
Like the shadow of the vultures
circling blackly overhead,
the Undertaker is drawn to Death like a knife is drawn to red."

"O Coveiro não levanta um dedo
mas vou temê-lo do mesmo jeito.
Sua presença pressagia sangue e Morte
Mas ele não carrega culpa pelo que é feito.
Como a sombra dos abutres
que do alto têm agourado,
É a faca atraída pelo sangue, e o Coveiro pela Morte chamado."¹




        C.P.:  Tenho um certo gosto pelo sombrio e um tanto quanto mórbido. Tim Burton seria um bom exemplo disso, não fosse o fato de ser até muito alegre. Dizem que buscamos histórias de guerra ou sofrimento para tentar aplacar nossa angústia interior. Afinal, tem alguém que está sofrendo mais que a gente, então podemos seguir com nossas vidas. Por falar em morbidez, me revolta, e no entanto,  não consigo deixar de ficar presa por narrações que envolvem guerras ou relacionamentos destrutivos. Coisas que mostram o lado mais podre do ser humano. Tenho algo de errado? Bastante provável. E qual é a daquele arco-íris?
P.S.: Achei a música do Justin Cross, é Drink the Water.

¹Tradução minha.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Despair

Ele deu outro trago em seu cigarro, profundamente. Soltou a fumaça lentamente, apreciando cada segundo que o aproximava mais da morte. Tomou o último gole de seu uísque já aguado, se levantou da mesa imunda, pagou sob um olhar de desagrado do barman. Sempre desapontando as pessoas, pensou sem humor. Por que sempre somos julgados e apontados tão bruscamente por oportunidades que nunca tivemos? Nada mais restava, não mais esperança, nem vontade de viver. Pegou seu casaco e saiu da meia luz proporcionada pelo pub, encontrando uma chuva fina e indefinida numa rua deserta e mal iluminada. Andava tropegamente, não pelo álcool, mas pela vida que agora pesava como uma condenação. Onde tudo acabou? Quando deixou de existir, até para si mesmo?

Aprendeu cedo que a vida não era fácil, e que teria de batalhar pelo que queria, e assim o fez. Até que um dia, num entardecer úmido, numa calma vazia, descobriu que estava solitário, que não sabia mais porque batalhar. Poderia enfrentar a vida, não tinha medo, nem preguiça de o fazer. Mas por que deveria se dar ao trabalho? Se sentiu só, seu trabalho não lhe dava qualquer tipo de satisfação. Nem mesmo as coisas de que um dia havia gostado de fazer o animavam a viver. Quando tudo perdeu o sentido? Caminhava devagar, já sem medo das ruas escuras e mal frequentadas. Há muito havia percebido que a sociedade é um hospício em grande escala, e que se tem de manter a farsa e viver prisioneiro das futilidades e do medo por ela impostos. Percebeu a desimportância, o vazio, proporcionado por seu trabalho de homem de terno. Sentado atrás de uma mesa, pensando em como arrancar mais dinheiro e desespero de quem não mais os tinha para oferecer.

Entrou em pânico, largou tudo. Uma camada de mormaço passou a encobrir sua vida. O dinheiro que tinha foi desaparecendo, e com ele seus supostos amigos. Observou-os ir, passivamente. Todo o sarcasmo e autopiedade de uma vida o abandonaram. Nada possuía, e nada o possuía. Sentiu a liberdade triste dos que nada tem a perder, e abraçou o vazio do álcool e do cigarro, que lhe trariam uma passageira sensação de bem estar, e também o levariam a um fim mais rápido. Não temia um castigo posterior, mas também nunca tinha tido esses arroubos de coragem que fazem a humanidade evoluir de tempos em tempos.

Tremendo de frio, encharcado em uma madrugada qualquer, continuava em busca de seu mais novo objetivo. Não encontrou vivalma, assim como não havia encontrado abrigo ou esperança, até chegar à ponte. Contou onze passadas largas até atingir a metade da ponte. Olhou para os dois lados. Ah! Que a esperança nunca nos abandona, mas não raro nos decepciona. Observou a névoa que já quase se havia dissipado pela chuva. Uma forte rajada de vento o atingiu, balançando os cadeados presos às grades já enferrujadas da ponte. Quantos sonhos se terão realizado? E quantos terão morrido, convulsos em desespero? Segurou a grade, içando-se para seu destino já pintado em negro. Tomou fôlego e se jogou no vazio à sua frente, fugindo para sempre do vazio de sua vida.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Café

          Deixe-me contar uma história. Era uma vez uma garota triste em um mundo sombrio. Ela via a vida passar, mas se sentia isolada, como que numa dimensão à parte. Vivia sozinha, e era assim que se sentia. A solidão lhe pesava, às vezes, não tanto quanto supunham as pessoas do outro lado do vidro. Gostava do silêncio calmo, de poder aproveitar um bom livro, ou um bom livro ruim. As demais pessoas não a entendiam, e nem ela lhes devia satisfação. Gostava de sua bagunça e coisas jogadas por toda a sala. Sabia onde encontrar tudo de uma maneira fácil e bem estruturada, e o melhor de tudo, sabia que não estava tentando manter uma sala "impressionável".

          Há muito abandonara as expectativas das pessoas a seu redor, tanto de amigos, parentes ou dos sugadores da felicidade alheia. Alheia. É como se sentia, alheia ao mundo ao redor. Desligada de suas correrias sem sentido, suas buscas egoístas, seus desejos medíocres. E mais de uma vez teve que respirar fundo e tentar não julgar as pessoas. Cada um tem seus motivos, e toda uma vida que os molda como são. Contudo, sentada em seu sofá gasto, confortável, ela olhava desesperançada para uma multidão de passantes. Todos muito sérios, muitos certos de suas vidas. Carregando suas maletas muito bem seguras, dentro delas todo o seu orgulho fútil. Passavam velozes, correndo pela vida, sem parecer notar que o ponto de chegada é sempre a morte.

          Sentada, tomando o santo líquido que a manteria desperta e capaz de aguentar mais um dia de chateações: café. Em meio aos papéis jogados e ao lixo de alguns dias, semanas... profundas olheiras, advindas de mais uma noite insone. Tanta coisa na cabeça. Tantos sonhos e problemas, tudo misturado. Já nem sabia mais se ainda queria seguir em frente. Uma velhinha para na rua, indecisa sobre qual caminho seguir. Ela tenta parar um dos transeuntes: "Não está vendo que estou falando no telefone?!". A garota o imagina dizer, enquanto ele se afasta apressado. Um dia, talvez, ele descubra que há coisas mais importantes que uma ligação. Que parar um momento para ajudar uma alma necessitada pode ser a única coisa da qual ele não se arrependerá no fim de sua vida fútil.

          O cabelo preso num coque bagunçado, a roupa larga, velha e confortável de dormir. Julgamentos. Toda a pressão de estar "apresentável" recai sobre ela. "Vista essa roupa!", "Essa é muito curta!", "Essa faz você parecer velha.", "Muito sombria.", "Colorida demais!". E mais uma infinitude de bobagens desnecessárias. A fumaça sobe, rodopia, trazendo o aroma agradável do café. Nas ruas a fumaça destruidora dos veículos. Um carro buzina. Uma mãe descuidada arrasta uma criança assustada e soluçante do meio da rua. Atenção sempre! Estamos ligados vinte e quatro horas por dia, sem descanso. Até quando dormimos somos dominados por sonhos ruins, resultado de mais um dia estressante. Mais alguns minutos e ela criará coragem e se levantará para ir trabalhar. Mais um pouco de coragem e ela largará o emprego ruim e irá em busca do que realmente gosta. Mais um esforço grandioso, vindo do fundo da alma, de seus desejos mais revoltados por terem sidos subjugados por tanto tempo, a farão se levantar para a vida, indo em busca da única coisa que nos move a todos: os sonhos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

O Trem dos Órfãos

Autor: Christina Baker Kline

Tradutor: Júlio de Andrade Filho


Gênero: Romance histórico/Ficção
Editora: Planeta
N° de Páginas: 304



"Aprendi há muito tempo que a perda não é apenas provável, mas inevitável. Sei o que significa perder tudo, sei o que é abrir mão de uma vida e encontrar outra."





          Quando você é um órfão problemático.. redefinindo: quando você é um órfão, muitas vezes, tem de lidar com trocas de famílias. Isso porque muitos dos que se candidatam a ser pais não estão preparados para lidar com isso, ou estão apenas interessados no dinheiro dado pelo governo para a "manutenção" dessas crianças. E quando você é um órfão num período de guerra ou crise, sua única opção é ser bonito, quando bebê, e útil, quando mais velho. Essa é a história de Molly, uma garota órfã, que não está se dando muito bem com sua nova família adotiva. Como não havia se dado com a outra, afinal, não se pode confiar nos adultos. Acontece que dessa vez ela queria ficar. Estava prestes a se tornar maior de idade, e também tinha seu namorado, que ela não fazia ideia de porque gostava dela. Molly, como muitos adolescentes, resolveu usar a máscara de gótica [claro que para muitos também não existe isso de "é só uma fase"... há os que adotam o estilo para a vida..] para conseguir alguma confiança para continuar com sua vida. 

          Sua nova 'mãe' não a aceita e quer devolvê-la [isso mesmo: essa está com defeito, quero trocar..]. Já seu novo 'pai' é um ser mais pacífico, beirando a passividade. Molly teve de se tornar muito independente, até mesmo desconfiada. Tem uma paixão por literatura, e é essa paixão que a faz se meter na encrenca que faz as engrenagens dessa história começarem a girar. Molly quer muito um livro, mas não tem dinheiro pra comprá-lo, e não quer incomodar ninguém com isso. Então, ela tenta furtar um exemplar da biblioteca e é pega. Como castigo ela tem de fazer serviço comunitário, uma alternativa ao reformatório. Seu namorado [em geral não sou boa com nomes.. ??] a ajuda, oferendo um serviço na casa onde sua mãe trabalha. O serviço é ajudar uma senhora idosa a limpar o sótão de uma vida inteira de lembranças [impressionada até agora em como ela guardou certas coisas..].




          Vivian Daly é uma senhora de 91 anos de idade e muitas histórias pra contar. Ela é uma senhora calma e contida, do tipo que bebe chá e veste rosa claro. Meio desconfiada, Molly começa seu trabalho para cumprir as cinquenta horas requeridas. Acontece que remexer em coisas antigas traz lembranças, que nem sempre boas. Aqui entramos no mundo de Vivian. A família de Vivian era irlandesa, e haviam imigrado para os EUA em busca de melhores condições. Isso, claro, em geral costuma ser uma ilusão. Eles enfrentaram o porão de um navio e sobreviveram [isso deveria ficar nas ficções.. triste realidade, ainda atual..]. Em 1929, vivendo em um cortiço imundo, Vivian, então Niamh ['Pronuncia-se “Ni-iv”.'] cuida de seus irmãos, enquanto seu pai bebe todo o salário, e sua mãe definha. Um incêndio mata toda sua família, deixando Niamh ao encargo de um orfanato. 



          Partindo agora para uma realidade ocorrida nos EUA, entre 1853 e 1929, temos um programa que buscava "desinchar" as cidades, que estavam superlotadas devido a industrialização e imigrações. Os órfãos, crianças abandonadas e afins, eram então enviados em trens para as áreas rurais. O trabalho era feito por instituições de "caridade", sendo a mais famosa a Children's Aid Society. Esse programa também tinha como objetivo retirar as crianças de famílias onde havia casos de abuso, e também evitar que estas ficassem nas ruas, iniciando-se na vida criminal. Parece exagero, mas a estimativa de crianças abandonadas em 1854, somente em Nova Iorque, era de 34 mil. Havia um responsável em cada localidade, por verificar o bem estar das crianças nos novos lares. Mas como bem representado no livro, os adultos raramente levam as crianças a sério [Desventuras em Série!!], ou querem se dar ao trabalho de fazer algo.






"Todas essas crianças enviadas em trens para o Meio-Oeste, recolhidas nas ruas de Nova York como lixo, aquele lixo que eles colocam nas barcas, e enviadas para o mais longe possível, fora da vista de todos."








          Essa prática perdurou até os anos 20, quando a Grande Depressão fez com que uma nova boca a alimentar se tornasse indesejável. E é exatamente durante este período que Niamh é enviada em um trem, onde ela conhece Dutch [lembre-se dele..]. Ela está amedrontada e sente falta da família. Mas viaja de estação em estação, para ser avaliada como um cavalo pelas famílias adotantes. Ela é uma das últimas a ser levada, por ser velha demais e ainda por cima estrangeira [ruiva com sardas..]. Vivian passa a viver numa casa com costumes muito rígidos, pouca comida, e onde ela tem de trabalhar como costureira para sobreviver. Ela tem uns oito anos aqui, e uma autoconsciência invejável. Logo a crise chega a área rural. Já não há tantos pedidos de costuras. Vivian é então dispensada pela família, sendo levada a um novo lar. Aqui ela vive num lugar imundo e miserável, com um monte de crianças sujas e uma mulher grávida meio louca. Quase é estuprada pelo novo 'pai', foge para a casa de sua professora, e encontra um lar de verdade lá. Porém isso não dura. Logo ela tem de partir, mas dessa vez ela permanece. Daqui por diante é mais sobre romance e sobre a Molly. 




          O contexto histórico é a parte mais impressionante deste livro, pois a história de Vivian poderia ser a história de muitas crianças estadunidenses. Crianças que eram postas para trabalhar muito cedo, que sofreram maus-tratos ou até abusos, e que não tiveram o amor de uma família. Antes delas chegarem nos trens, eram postos cartazes com avisos, à procura de lares. O uso de propaganda e sua efetividade ainda hoje me surpreendem. Apesar das dificuldades, muitos sobreviveram, e alguns participam de encontros anuais que viraram uma tradição, para trocarem experiências e contarem suas histórias.




C.P.: E o que posso dizer?? Livros com fundo histórico muito me interessam. Principalmente porque andei pesquisando sobre os conceitos de infância e sobre trabalho infantil. Isso por conta de um trabalho sobre Dickens, que foi um grande crítico do trabalho infantil em sua época. Houve um tempo em que crianças não tinham esse status. Eram vistas como pequenos adultos, iniciando a vida no trabalho aos cinco anos de idade, com cargas horárias monstruosas de mais de 12 horas diárias. Aí você pensa: Nossa, Idade Média isso! Não, séculos XVIII, XIX, plena Revolução Francesa, Era Vitoriana, com chá das cinco e vestidos volumosos. Em geral, minha revolta fala mais alto. Conhecer o passado para não repeti-lo é essencial!!


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Mad Dogs & Co


Autor: Chart korbjitti

Tradutor: Marcel Barang


Gênero: Romance/Ficção
Editora: Howling Books
N° de Páginas: 510


"Para eles, quando alguém havia partido, isso se tornava uma história divertida, um episódio feliz que valia a pena ser contado. Eles falavam apenas do que já havia passado: não falariam do que estava por vir."*

"For them, when someone was over, it became a funny story, a bout of happiness worth talking about. They talked only of what had gone by: they wouldn't talk about was coming up." p. 503


           Quando amigos de verdade se reúnem depois de muito tempo, com bebida à vontade, boas histórias para se contar é o que não falta. Este livro é contado do ponto de vista dos personagens. Dois amigos se encontram num bar, depois de muito tempo sem se ver, e começam a contar como estão suas vidas. É um dia chuvoso, e é a chuva que nos traz de volta a realidade, após cada história. Um assunto puxa outro, uma dose leva a outra, e somos carregados pelas lembranças de Otto, Chuanchua, Thai, Sam Lee, Lil Hip e outros. A história se passa na Tailândia, e mesmo sabendo que não se pode levar tão a sério o contexto de uma ficção, sempre acho que há muito de realidade na organização social e costumes apresentados. Como por exemplo o uso de mosquiteiros ou a forma como algumas pessoas tentam ganhar a vida trabalhando em comércios, tentando manter esses negócios, ou mesmo a estação turística, que mantém os comércios abertos metade do ano, sendo que na outra metade não há clientes suficientes e os negócios tem de fechar e aguardar a próxima estação.
         Otto é o dono de uma loja de suvenires para turistas, a loja está fechada quando Chuanchua chega de Bangkok para visitá-lo. Eles vão para um bar e começa a rodada de conversas e reminiscências, sempre de forma descontraída, rindo da desventuras um do outro. Otto já foi procurado pela polícia por tentativa de homicídio, quando adolescente. Abandonou os estudos para fugir, esteve envolvido com drogas, e trabalhava como segurança para uma espécie de máfia, quando perdeu alguns dentes. Teve uma oportunidade de largar essa vida e a pegou. Passou a viver com amigos numa loja a beira-mar. Eles só ganhavam o suficiente para comprar a bebida [e outras drogas, o consumo é bastante explicito..] e um pouco de comida. Viveu como hippie durante esse período de sua vida. 


"He had thought about running away from the underworld, but there was no way out. How could he leave? He was still wanted by the police. How could he find a job? He had no education. Worse than that, he had become a drug addict. Where would he find the strenght for unskilled labor? Besides, any work of that kind was unlikely to bring enough money to satisfy his needs." p. 86

"Ele pensou em fugir do submundo, mas não havia saída. Como poderia fugir? Ele ainda era procurado pela polícia. Como poderia encontrar um emprego? Ele não tinha estudos. Pior que isso, tinha se tornado um viciado. Onde encontraria força para trabalhos pesados? De qualquer forma, qualquer trabalho desse tipo não traria dinheiro suficiente para satisfazer suas necessidades."*


           A história vai sempre mudando de foco e retornando. De Chuanchua pouco é contado, ele parece estar mais presente para que a história possa se desenvolver. Ele é um escritor, de férias, ou na verdade em busca de inspiração para seu novo romance. Também conhecemos Thai, com sua infância sofrida pela incompreensão do pai, seu gosto pela música e suas habilidades comerciais. Thai abre um restaurante, onde é bem sucedido, porém tem problemas conjugais, e acaba se enredando nas drogas. Quando sua esposa, Tha, estava grávida, ele se envolveu com a cozinheira e todo mundo ficou sabendo. Tha o abandonou, e foi morar com seu filho na casa da sogra. Há algumas reviravoltas nisso, mas essa parte é interessante, pois as mulheres não tem uma participação muito ativa nesse livro. Acaba sendo sempre um bando de amigos se divertindo. As mulheres são mais parte da diversão, ou personagens secundários, como a mãe austera de Thai ou a madrasta de Otto.
            Sam Lee é o personagem calmo do grupo, é honesto, gentil, não bebe, mas está sempre junto para ajudar os amigos. O senso de amizade é o tema central deste livro. O tipo de amizade profunda do tipo "faça isso, sem perguntas", e o outro respeitar. É saber que sempre terá alguém para te ouvir, pagar uma cerveja, ou mesmo dividir a casa. E é também muito brincalhão. Você pode ver histórias tristes como a morte do pai de Thai. E pode ver também as engraçadas, como quando.. pensando bem, geralmente envolve acidentes e drogas e/ou bebidas. Um deles caiu do segundo ou terceiro andar, quando tentava se esconder dos amigos, mas estava bêbado demais e acabou dormindo. Outro caiu de um trem em movimento. Também tiveram dois que caíram de moto. Ah! E claro, o que se envolveu com uma freira, que acabou virando uma esposa megera. E o que roubou a namorada do outro, porque não queria que este se casasse e o abandonasse. E assim por diante.
          Este é um daqueles livros que você precisa se acostumar com, antes de realmente apreciar. Isso por conta da linguagem, e também por se tratar de uma outra cultura. Acaba levando um tempo para se ambientar. Contudo, vale a pena o esforço. "O livro atual é sempre o melhor."... nem sempre. Já li uns muito ruins. Uns que gostaria de pedir meu tempo de volta, e uns que valeram só pelo final surpreendente. Este vale como um conjunto. É como estar reunido com um grupo de amigos ouvindo histórias hilárias, e algumas tristes. E tudo isso faz parte de ser humano.


"He grabbed the money and walked out of the store. He didn't understand why some people coudn't feel some sympathy for others or at least show some understanding, instead of only hankering after money and profit." p. 176

"Ele pegou o dinheiro e saiu da loja. Ele não entendia porque algumas pessoas não podiam ter simpatia pelos outros, ou, pelo menos, mostrar alguma compreensão, ao invés de somente desejar dinheiro e lucro."*






Autor: Chart Korbjitti nasceu em Samut Sakhon, Tailândia, em 1954. Ganhou dois S.E.A. Write Awards, e foi nomeado Artista Nacional em Literatura em 2004. Lançou vários livros, dentre os quais os mais  famosos são: No Way Out, Time, The Judgement, e, é claro, Mad Dogs and Co.


"That we met too late or too soon is neither here nor there. What's important is that we met at all." p. 263

"Se nos conhecemos muito cedo ou muito tarde, não importa. O que importa é que nos conhecemos de todo."*

C.P.: Acho sensacional a forma como ele cria histórias, ou melhor, a forma como as conta. Sempre acreditei que não importa muito o tema, desde que você seja um bom contador. É por essa razão que não me prendo a gêneros literários. Todos eles podem te surpreender, desde que tenha escolhido o escritor correto. A tradução que peguei foi maravilhosa, mantendo a linguagem coloquial, ainda que um pouco difícil de entender, às vezes [se não houvesse um pouco de desafio, que graça teria??]. Peguei a versão em inglês, não há tradução em português [que eu saiba..]. Na verdade, foi bem difícil conseguir informações sobre esse autor. São sempre termos gerais. Precisamos expandir nossos horizontes de leitura, e saber outra língua ajuda bastante.


'"Happy birthday," Chuanchua toasted as he raised his bottle.
   After drinking they laughed at each other. They knew today was no birthday for either of them, but they felt amused to celebrate it. When someone asked, "Whose birthday is it?" they'd answer, "There must be someone who was born today."' p. 401

"- Feliz aniversário, -  Chuanchua brindou enquanto levantava sua garrafa. Depois de beber, riram um para o outro. Eles sabiam que hoje não era o aniversário de nenhum deles, mas se sentiram satisfeitos em celebrar. E quando alguém perguntou - Quem é o aniversariante? - eles responderam: - Deve haver alguém que nasceu hoje."*

* Tradução livre.

domingo, 28 de junho de 2015

Toda História Tem Mais de Uma Versão

          Às vezes me faltam palavras pra expressar minha indignação, às vezes me falta paciência. Contudo, vou sempre tentando, porque o mundo é enorme, assim como as perspectivas das pessoas. Centros de educação são fontes inestimáveis de conhecimento. Numa aula, em um sábado qualquer, foi-me mostrado um vídeo, sobre as noções e visões e preconceitos das pessoas. Decidi compartilhar esse vídeo, porque mostrar que há mais de um ponto de vista em qualquer discussão é um ensinamento sem igual. Então imagine uma criança negra, africana, imagine sua infância, seu crescimento. Imaginou?? Agora veja o vídeo!






          É perceptível, quase palpável a forma como julgamos inferiores ou nos apiedamos das pessoas, sem notar que isto não lhes traz bem algum. Ter pena de uma pessoa e não fazer nada é se colocar numa posição de superioridade, uma "arrogância bem intencionada". Do nascimento até a morte, trilhamos caminhos diferentes de outras pessoas, mas em geral isto não nos torna melhores ou piores. Sou a favor das causas justas, mais que das igualitárias. Seres humanos são tão vastamente diferentes, que querer manter um tal equilíbrio fatalmente levará à frustração e ao fracasso.


          A mídia exerce um papel importante como criadora de opiniões. Aqui entram as relações de poder. Aos desinformados: a mídia é sim controlada e manipulada. Vivemos num mundo capitalista, e ainda que essa não fosse a razão, existem leis sobre o que pode ser apresentado ao público. Temos liberdade de expressão, mas, como sempre ocorreu no convívio em sociedade, você só pode expressar aquilo que não ofende diretamente o centro de poder, caso contrário seu protesto será abafado e você será injuriado e desacreditado. A internet ainda é um meio de expressão mais livre, porém pouco confiável, já que qualquer um pode dizer o que quiser. As "massas ignorantes" vão aonde veem fogo. Parecem estar sempre em busca de algo podre, abutres descerebrados.




          Este é um convite a buscar sempre mais de uma opinião. Nunca uma história é entendida da mesma forma por mais de uma pessoa, e, às vezes, ao relermos a história, esta ganha novo significado. Somos uma colcha de retalhos, composta de crenças pessoais, experiências, paixões, feridas e esperanças. Podemos mudar o mundo, mas pra isso é preciso entender que o nosso ideal de mundo vai bater de frente com o do outro, e precisamos aprender a lidar com isso.

domingo, 14 de junho de 2015

The Apprenticeship of Big Toe P

Autor: Matsuura Rieko
Tradutor: Michael Emmerich

 
Gênero: Romance/Ficção
Editora: Kodansha International
N° de Páginas: 447



"I came to the conclusion that people are able to love all kinds of people in all kinds of different ways, and that was enough for me." 


[Eu cheguei a conclusão de que as pessoas são capazes de amar todos os tipos de pessoas, das mais diferentes formas, e isso foi o suficiente para mim.]

 
          A quem interessar possa [e que saiba inglês ou japonês, já que até o momento não foi vista tradução em português, e não sei se tem em outras línguas..] este é um interessante livro sobre como lidar com coisas estranhas que possam aparecer no seu corpo. Porque temos sempre de seguir em frente e tirar o melhor proveito das situações bizarras que a vida nos impõe. Então, imagine que um dia você acorda e descobre que o seu dedão do pé direito virou um pênis [uahahha adoro japoneses e sua imaginação bizarra infindável..]. Isso é o que ocorre com Kazumi, uma jovem de 22 anos, que acabara de perder uma amiga [Yoko havia se suicidado, e Kazumi foi a pessoa a encontrá-la em seu apartamento..]. Kazumi é uma pessoa altamente ingênua sobre relações pessoais [em verdade ela é muita lerda lenta para entender ou se importar com a reação das outras pessoas. Há toda uma alusão sobre Yoko ter se apaixonado por ela, e ela nunca ter notado, então Yoko se matou e a amaldiçoou com a coisa do dedão..]

          A partir de então, ela passa a ter de lidar com sua nova forma de ver a sexualidade. Seu namorado aceita bem as coisas, até que um dia se revolta e decide cortar o "dedão" dela. Kazumi é ajudada por um vizinho, Shunji, um jovem músico cego. Shunji tem uma maneira inocente de enxergar as coisas, até pela forma como foi tratado ao longo de sua vida. Ele acredita em sexo como uma forma de "amizade", e não faz diferenciação entre homens e mulheres. Kazumi é atraída por essa inocência, e pela forma como Shunji aceita seu "dedão" como uma parte dela, e não algo grosseiro a ser extirpado [vamos aonde somos aceitos..]. Contudo, Kazumi é nonsense ao ponto de mal terminar um relacionamento de três anos e começar um noivado com um completo desconhecido. Há uma total inconsistência em sua forma de "amar". Ela ama o namorado, até que este não aceita uma parte de seu ser. Ama Shunji, porque este a aceita, mas vive um dilema sobre ser ainda mulher ou não [extensas cenas sobre masturbação e sexo oral no "dedão"], mesmo que ela não aceite de forma alguma o pensamento de ficar com outra mulher. E ama Eiko, no fim.

          As notícias andam, e logo uma trupe a convida a participar de uma espécie de show sexual exclusivo [para ricos e políticos, com gosto questionável], em que cada participante tem alguma anomalia [tem uma mulher com dentes na vagina, uma que tem severa alergia a fluídos corporais, que a deixa com marcas vermelhas onde estes a tocam. Há um homem com pênis deformado, um que fez operação para  retirada do pênis, e, o que realmente apareceu como uma novidade: um siamês incompleto. Ele tem a maior parte das funções normais, porém seu irmão é que possui o pênis,e este não tem cérebro..].  Kazumi aceita viajar com a trupe, e começa a perceber que apesar de seus corpos e do que fazem para ganhar a vida, eles são pessoas normais, e muito gente boa. Lidando com todas essas formas de amor, ela acaba por se interessar por uma das garotas da trupe [que não tem nenhuma anomalia.. e isso também ocorre depois de Shunji ter sumido com um de seus "amigos".. no fim ela acaba por se apaixonar por quem lhe dá atenção.]. Assim se completa seu percurso pela sexualidade. Ela deixa de ser somente a amante passiva de seu primeiro namorado, começa a sentir como é ter um pênis, passa pelo estágio de negação, mas acaba também ficando com uma mulher. E o objetivo é alcançado: ela passa de um estágio de preconceito vazio para a concepção de que toda forma de amor é válida e especial. Isto é feito de forma gradual, o que nos leva a um estado de pensamento em que entendemos e também somos convencidos disso.




Autora: Matsuura Rieko nasceu em Matsuyama, em 1958. [Jurava que era um homem, nunca vou saber diferenciar pelo nome..] Estudou literatura francesa, e teve seu primeiro livro publicado em 1978, este foi o livro The Day of the Funeral [título interessante.. se não fossem os outros livros e coleções que tenho de acaba de ler]. The Apprenticeship of Big Toe P foi lançado em 1994 e ganhou o prêmio Women Writers' Prize, tornando-se um bestseller. Reza a lenda que ela teve a ideia para o livro ao sonhar que seu dedão do pé havia se transformado num pênis. A partir daí, ela desenvolveu a história em torno de algo que já pensava em escrever: sobre a mudança de perspectiva sobre sexualidade após determinadas experiências.



 
C.P: Vivemos em uma sociedade com valores impostos pela cultura e religião, economia e política. A aceitação de novas formas de amar e ver o mundo ainda tem forte oposição por parte do lado conservador. Aqui então, entram as formas de abordagem. Como visto, o livro de Matsuura tornou-se um bestseller num país extremamente conservador. Como dizem "Não é o que se diz, mas como se diz.". Jogar a verdade na cara das pessoas não é uma forma amigável [ou mesmo caridosa] de se fazer as coisas. A forma de pensar muda aos poucos, e como mostrado no livro, experiência é necessária para se chegar a uma consciência maior. E acho meio engraçado a forma como essas escritoras parecem tão inocentes.. Ela e a Anne Rice.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Para Sempre

Autor: Alyson Noël
Tradutores: Marcelo Mendes & Flávia Souto Maior

  

Gênero: Romance/Sobrenatural
Editora: Intrínseca
N° de Páginas: 264





"Eu estou mesmo com ciúmes. Eu sou possessiva. E paranoica."





           Ever Bloom era o que  chamaríamos de "garota popular americana", loira, líder de torcida, namorada de um dos jogadores de futebol da escola. Tudo ia muito bem, até que toda sua família morre em um acidente de carro. Ao acordar no hospital, Ever descobre que não está necessariamente sozinha. Como consequência do acidente ela agora tem poderes psíquicos e sobrenaturais, como ouvir pensamentos, enxergar a aura das pessoas [isso é interessante, o livro apresenta um esquema de cores e seus significados..], ver fantasmas [capacidade muito pouco explorada na história..], ou mesmo saber tudo sobre uma pessoa com apenas um toque. Um desses fantasmas é sua irmã, Riley [a única personagem com carisma no livro..], uma garota de doze anos, que parece ter voltado para implicar com a irmã. Por causa de seus dons, Ever se esconde atrás de um moletom e de seu I-pod, que a impedem de ser tocada por terceiros, ou ouvir demais os pensamentos das pessoas, o que é insuportável para ela, pois a aura e sentimentos das pessoas a afetam.

          Início interessante, uma garota nova numa escola nova, com uma amiga gótica e um amigo gay, formando a mesa dos excluídos. Contudo, o complexo de "Quero Ser Normal" de Ever, enche a paciência. Tudo bem, aconteceram coisas terríveis, e é difícil lidar com isso, mas ela não relaxa, e esse é um tipo de tensão transmitida ao leitor. Então, a vida está aceitável, na escola há a garota popular que a odeia, e ela não fala com muito mais gente que seus dois amigos, até que aparece Damen, o cara superhiperultramaravilhoso [com uma personalidade altamente instável e irritante..], que por alguma razão se interessa por ela [e depois não, e depois sim, e Tom & Jerry é mais divertido..]. Damen é um cara misterioso, e Ever quer descobrir o que ele esconde, e ao que parece seu passado e futuro sempre se entrelaçam. Para maiores informações vide o livro.


Autora:  Alyson Noël nasceu no Condado de Orange, EUA. Começou a escrever na adolescência, tendo agora os livros traduzidos para uns 35 países. Com o sucesso da série Os Imortais, ela decidiu dar continuidade a obra, contando a versão de Riley Bloom, em Radiance, e suas sequências. No site da autora Aqui, onde podem ser encontradas maiores informações sobre ela e sobre seus livros lançados.



C.P.: Como terapia ocupacional, eu leio. A leitura é um prazer, uma distração, um desestressante natural. Além disso, é uma forma de adquirir conhecimentos aleatórios sobre o mundo em geral, e alguns específicos [outro de meus hobbies é criticar os pontos fracos dos livros.. implicar com alguma coisa é su-bli-me..]. Apesar de ser estudante de Letras, e ter todo um contato com os chamados Clássicos, gosto do que chamo de "livros de leitura fácil". Estes são aqueles romances adolescentes, em que algo de sobrenatural geralmente acontece [vampiros, anjos, demônios, imortais, distúrbios psíquicos..], ou simplesmente dramas exagerados, ou fantasias e livros infantis. Acontece que eu simplesmente posso me perder nisso, e me manter ocupada por uns dias. Agora, tendo explanado meu gosto por livros do tipo, tenho a dizer que esse é medonho. Completamente aborrecido. Todos os personagens soam falsos, e, com exceção da personagem principal, eles parecem meio desfocados [como os figurantes nos animes..]. O ponto forte do livro é o fato de ter um imortal não sobrenatural, em termos. De resto, o romance é forçado, as amizades também, na verdade, qualquer tipo de relacionamento o é. Os vilões são ridículos e autocentrados, de uma forma brega. Os  tradutores ainda nos fazem o favor de usar uma linguagem supostamente adolescente [vergonha alheia..]. O fato curioso é: E porque eu não abandonei o livro?? Não é meu costume abandonar os livros, mesmo que a história não me agrade. Gosto de chegar até o fim, às vezes vale a pena. Mas do meu ponto de vista [um tanto quanto cínico..], eu não parei de ler exatamente porque é ruim. É um ruim do tipo: tenho de ver o quanto isso pode piorar antes de acabar.. Enfim, já li os dois primeiros da saga Os Imortais [e acabei de descobrir que tem pelo menos seis deles.. repensando o abandono..].