sábado, 23 de dezembro de 2017

Jogador Nº 1

Autor: Ernest Cline
Tradutor: Carolina Caires Coelho

Gênero: Ficção científica/ Distopia
Editora: Leya/ Casa da Palavra
Nº de Páginas: 464



"Eu a compreendia, confiava nela e a amava como uma amiga querida. Nada daquilo havia mudado nem poderia mudar por algo tão pequeno como sexo, cor da pele ou orientação sexual."



         Desde A Máquina do Tempo, H.G. Wells, ou até mesmo antes de ler esse livro, nunca gostei muito do tema viagem no tempo, ou visões futuristas fantásticas. E na verdade sou um porre com relação as coisas que gosto ou não gosto. Sendo uma difícil tarefa me dissuadir de minhas ideias já estabelecidas. Logo, foi meio complicado começar a ler esse livro que se passa em 2044 e uma realidade completamente diferente da nossa. Um novo tipo de distopia, e como esperado, boa pra uns, não tanto para outros, e inviável em termos humanos.

          Wade, nosso protagonista, está prestes a se formar em sua escola virtual. Isso porque toda a humanidade passou a adotar a realidade virtual para fuga da realidade em que se encontra, e também porque esse passou a ser o ideal de normalidade. Pode parecer estranho, porém dez anos atrás nós íamos até as pessoas para saber como estavam suas vidas, e hoje em dia tudo é feito por redes sociais. Oasis é a realidade virtual do livro. Um universo que pode ser acessado com um visor e luvas de realidade virtual.

          O planeta atingiu seu limite de combustível fóssil [estamos quase lá..], sendo que as pessoas buscam novas formas de se manter vivas. Houve o esperado aumento da miséria, sendo que Wade vive em um trailer com mais 11 pessoas, e esse trailer se encontra num setor de trailers, sendo que por conta da superlotação eles estão uns sobre os outros, o que ficou conhecido como "Pilha" [no Brasil temos a nossa versão de madeirite, vulgo favela...]. Wade é muito pobre, mas lida bem com computadores, e é obcecado por jogos. Para ter acesso ao Oasis, ele teve de optar pela escola virtual, recebendo o visor e as luvas da escola. 

          Imagine praticamente ninguém mais precisa se encontrar pessoalmente. Tudo é feito através do Oasis. Compras, trabalho, escola, relações, tudo passa a ser virtual, uma grande fuga da feiura do mundo. E você não precisa mais tentar atingir padrões de beleza social. Tudo que você tem que fazer é criar um avatar, que você pode alterar tudo, até mesmo seu padrão de voz. 


          Tudo isso foi criado pelo bilionário James Halliday, fanático criador de jogos, fascinado pela década de 1980. Este, ao falecer, deixou como testamento um último jogo, sendo que quem o vencesse seria o herdeiro de seu legado. Isso deixa todos em alvoroço, buscando o Ester Egg [uma mensagem, imagem ou algo do tipo, escondido em um trabalho], que foi escondido no Oasis por Halliday. Para tanto seria necessário conhecer muito sobre jogos e sobre a década de 80. E então começa a caça ao ovo [egg], envolvendo tanto pessoas comuns quanto empresas que estão atrás do patrimônio de Halliday.

          Dito isto sobre o contexto, sobra falar sobre a aventura empolgante em que a história é estruturada. Ela faz com que você torça pelo personagem. E, para que curte games e cinema, é um show de citações, principalmente sobre a década de 1980. Confesso que fiquei boiando em muitas das citações [fazer o quê, sou da década seguinte...]. E também vale contar que a versão cinematográfica vai ser lançada em 2018, com direção de Steven Spielberg  [para quem gosta de ler o livro primeiro ainda dá tempo..]. Esperando que seja tão bom quanto o livro, e sofrendo por saber que raramente o é. Fica o trailer para quem se animar a ver:



Recomendação de compra:


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Crepúsculo x 50 Tons de Cinza



          A desocupação nos leva a fazer coisas estranhas. A falta de vontade de fazer as coisas que a gente deveria estar fazendo, muito mais. Mas veja, sou formada em língua inglesa, o que inclui literatura. Sempre fui apaixonada por livros, razão pela qual escolhi esse curso. E já li os tão aclamados livros clássicos, os mais famosos e inteligentes, as fantasias, romances e bons autores, enfim. E, com base nisso, as pessoas não conseguem entender porque eu gosto de livros considerados "ruins", para dizer o mínimo. E veja bem, não vou me propor a explicar isso. Na verdade, resolvi traçar um paralelo entre dois romances que são esculachados pela crítica: Crepúsculo e 50 Tons de Cinza. Por que? Porque eu quero.

          Começando pela diferenciação livro/filme. Em ambos os livros as garotas são pessoas comuns, meio sem sal, que estão vivendo a vida delas, até que aparece alguém sensacional que as leva a ver a vida de outra forma. O problema dos filmes é fazer essas garotas "sem sal" beirarem o retardo mental. Elas são tímidas, mas de opinião forte. Ambas tem uma família não muito estruturada, seja lá o que isso for, o que influencia quem elas se tornaram.

          Já os homens são muito ricos, lindos (questionável se formos pelo filme), tem um passado sombrio, alma angustiada, e são potencialmente perigosos. É até engraçado ver os filmes, Edward e Grey falam quase a mesma coisa, sobre não serem o parceiro ideal e que é melhor que elas se afastem. Acho que é aqui que as autoras começam a traçar as linhas que prendem os leitores à história. Um mistério, e um amor impossível (ou, pelo menos, um bem complicado). E aquela visão de que aparecerá alguém, quando o amor for verdadeiro, que conseguirá mudar a pessoa para melhor. Culpem a Disney.

          E se você vê, é bem cliché, o "vou te amar para sempre", as cenas onde elas são salvas de caras babacas, o segurar o cabelo para vomitar, muahahah, eterna donzela em perigo com seu cavaleiro em carro importado. Ainda gosto mais da inevitabilidade de Crepúsculo. Edward não pode deixar de ser o que é. O Grey poderia ir a um psicólogo. Se bem que acho que ele foi a alguns, não lembro direito. Além disso, há muito mais de amor simples e puro no conto dos vampiros. Christian já começa agindo meio babaca com o contrato (e o resto).

          E como maníaca por Alice no País das Maravilhas, não poderia deixar de notar os bilhetes de "Eat me", "Drink me", que Christian deixa para Anastasia, quando ela bebe demais e desmaia. Não encontrei paralelo em Crepúsculo. Deve ser porque estou assistindo o filme do Grey enquanto escrevo. E esse é o segundo filme de hoje, o primeiro foi O Livro do Amor, que também tinha o recado de "Drink me". As melhores pessoas são loucas, não é mesmo Alice??

          Agora entendi porque nunca terminei os livros do Grey, ele é mandão demais. Não como se fosse proteger, ou desistir de tudo pela pessoa que ama. Mais como "eu posso ter tudo o que eu quero". Arrogante, meio birrento. Ainda prefiro os Kimi ni Todoke da vida. E também sei porque não vi todos os filmes de Crepúsculo, o filme é paradão. Acontece alguma coisa a cada dez minutos par acordar a platéia. O resto é bem monótono. Imagino que seja por ser um livro em primeira pessoa, cheio demais de sentimento. Se tirarmos os floreios sentimentais não sobra muita coisa com que se trabalhar.

          E os relacionamentos estão todos bugados no filme. A família dele parece muito distante. A irmã dele era uma das personagens mais fáceis de gostar, e virou aquilo. Ohh também tem a cena do campo da flores, tão emblemática em Crepúsculo. Os dois presenteiam as mulheres com carros novos, para substituir os outros, um tanto duvidosos (fusca e picape velha). Os dois tocam piano.

          E o povo de direitos humanos nem pode reclamar dos três tapinhas que ele dá nela, pareceu muito pior no livro. E lembrando de cenas estranhas, a descrição da Bella de beijar o Edward é hilária porque, imagina beijar um cara que além de gelado, brilha?? E a autora faz parecer a melhor coisa do mundo. As feministas certamente não devem ficar nada felizes com essa submissão da mulher, exibida a milhões de telespectadores, que não vão, depois, entender a diferença entre consensual e assédio. Apesar de esse tema ser bem explorado no filme e no livro.

         Um ponto que achei pouco explorado nas Aventuras do Sr. Grey, foi seu passado traumático, e a forma como ele foge de ser tocado sob qualquer circunstância. Vamos lá, esse passado obscuro é o que mantém a história de pé. E esse é até um tema batido, lembro de uma história com um Sr. Roark, que era muito melhor. Romance policial. Até Freud era a favor de que traumas na infância podem causar comportamentos não muito bem aceitos na sociedade na vida adulta. Se bem que, quando será que nossa sociedade deixará de ser tão estupidamente hipócrita??

          Assisti ao segundo filme no cinema com colegas de trabalho. Coisa mais divertida do mundo. Um monte de mulheres reunidas gritando por besteira. Parecia mais comédia que qualquer outra coisa. E o Taylor é mais bonito que o Grey, e que voz!! Fiquei lembrando do Alfred em um dos filmes do Batman. Trocaram o dublador brasileiro, sabe-se lá porquê, e a voz do Batman ficou com o Alfred. 

          E acabou muito sem sentido. Lembrava que o drama com a outra submissa era no primeiro livro. Podia ter uns lobisomens, está faltando competição aqui. E é isso. Até porque não sei o que acontece no fim. Talvez o cliché de casar e ter filhos e então virar pessoas normais.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Anne of Green Gables - Anne with an "E"


          Anne of Green Gables esteve na minha lista de leituras por algum tempo. Até baixei o livro, que acabei não lendo porque tem mais de 2 mil páginas. Calma, nem é isso tudo. A verdade é que tem vários livros compilados. O primeiro é Anne of Green Gables, seguido por Anne of Avonlea, Anne of the Island, Anne of the Windy Poplars, Anne's House of Dreams, Anne of Ingleside, Rainbow Valley e Rilla of Ingleside.

          Não sou muito boa em animar quem não gosta de ler a ler. Enfim, este é o tipo de livro que você não se importa com a quantidade de páginas, pois a leitura é prazerosa. Um refúgio do mundo moderno e torpe. Anne é de uma pureza impar, e uma personalidade tão radiante. Ela anseia por viver e aprender, sempre muito curiosa. Tem uma paixão pelo mundo e pela literatura, e pela natureza, e trata a imaginação como uma qualidade inestimável, e sem a qual não sabe como as pessoas vivem.

          Chamo a atenção pra isso porque as crianças de hoje não fazem grande uso da imaginação. Parece que tudo lhes é dado de bandeja para que não tenham que pensar por si mesmas. E talvez seja isso mesmo, um bando de alienados na frente de telas, incapazes de enxergar o mundo ao seu redor, quanto mais alterá-lo.

          O que me fez ler de fato o livro foi a série da Netflix que se baseia nessa história: Anne with an "E". A atriz é maravilhosa, a trilha sonora é linda, o cenário, a estruturação, tudo. Ao ler o livro reparei que tem muitas alterações, acho que até para acompanhar preocupações das garotas de hoje. Até porque o livro, às vezes é bem vago quanto a detalhes. As coisas acontecem muito rápido. Não é como os romances atuais, onde um dia da pessoa é esmiuçado, e todas as emoções são descritas. O narrador é um tanto distante. E, nossa, a série é uma explosão de cores e emoções. Fazia tempo que não assistia nada que me fizesse querer continuar vendo sem para até acabar.




Bem, agora Anne tem dezesseis anos, e tem muitas responsabilidades. Preciso ler os demais livros para saber mais. E também aguardo ansiosa a segunda temporada da série. Vou deixar a abertura da série e o trailer oficial. Quem sabe não te interessa também??



sábado, 28 de outubro de 2017

Gantz

          Numa incrível relação de amor e ódio com Gantz. Desde o início fui muito crítica com relação a essa história. Confusa demais, eu pensei, ao ver o anime. Nem imaginava que o mangá era uma viagem umas cem vezes mais inacreditável [ou incrível, dependendo de quem lê..].


Curtam a página deles no Facebook. Vale a pena.


          O início: dois adolescentes morrem dilacerados por um metrô, ao tentar salvar um mendigo que havia caído nos trilhos. E aqui uma coisa que o anime explora demais, e eu adoro: as pessoas como realmente são, em seus instintos mais miseráveis. Ninguém os ajuda, e eles acabam não conseguindo sair dos trilhos [o mendigo sobrevive, se é que você se preocupou.. aí está]. Até aí normal, o estranho é que eles acordam num quarto com outros desconhecidos e uma bola preta enorme que diz que eles morreram e agora terão de participar de um jogo [isso e o fato de serem transportados como numa impressora 3D. Além de poderem retomar suas vidas quando terminam a missão]. No jogo eles ganham pontos por cada missão cumprida, e a possibilidade de sair do jogo ao completar 100 pontos.

Eles têm acesso a armas e uma vestimenta preta, que serve como uma armadura, e que também potencializa suas forças [e é uma coisa super colada ao corpo, e convenhamos, fanservice deve ter ganhado boa parte da popularidade do mangá]. Eles tem um alvo definido por Gantz (a bola preta). Esse alvo é sempre um alien, ou mais de um, ou tantos que você perde a conta.




          Os personagens evoluem fisicamente conforme enfrentam novos inimigos [típico de um shounen]. Eles também evoluem emocionalmente ao ver colegas virarem amigos e então virarem cadáveres, ou serem devorados por monstros, e serem ressuscitados [é, também pode acontecer. E se podemos ressuscitar pessoas com tecnologia, de que é feita a alma? O que torna os humanos uma espécie mais especial que as outras do planeta?]. E aqui entra uma das maiores questões do mangá: Quem são os monstros na verdade? Por que, para quem e contra quem eles estão lutando? 

          As nuances entre bem e mal deixam de parecer bem definidas, e o caráter dos personagens é posto à prova. O caráter dos anônimos também, quando, nas lutas finais, aparecem pessoas conversando em chats e demonstrando seu apoio ou seu ódio de acordo com o que a mídia mostra, e que também é observado nas famílias dos participantes. Pouca gente parece manter alguma opinião quando a mídia diz que as coisas são de outra forma. Cabe aqui a importante reflexão: você está mesmo tendo opinião própria ou somente engolindo qualquer merda que a mídia te joga? [logo teremos eleições presidenciais, ou assim espero, abram os olhos... ou uma página de navegação e pesquisem sobre as pessoas que pretendem eleger.. seu futuro está mais em suas mão do que você imagina.]

          Depois de tudo isso ainda temos vampiros [parte que não ficou bem explicada.. Gosto de vampiros (irrelevante)], invasões de alienígenas gigantes, e também tem romance, que acredito, seja uma das coisas que mantém a porra toda junta. Isso e a amizade, sempre acho essa uma das coisas mais impressionantes em animes: o poder da amizade. Achei interessante as várias citações que acontecem ao longo do anime, de filmes e afins. Me lembrou uma citação [que não lembro mais de quem é], que diz que um bom livro sempre faz referência a outro. Acredito que essa seja uma boa forma de entender um pouco mais o autor: vendo suas preferências.








Acho que japoneses realmente gostam dos contos da Mamãe Gansa.

          E, hey, atenção aos detalhes. O cara desenha pessoas sendo cortadas, dilaceradas, tripas saindo do corpo, aliens, dinossauros, maquinário tecnológico ultra detalhado, com peças minúsculas, lutas, diversos cenários, naves espaciais. Além de envolver no enredo temas adolescentes, razões políticas, guerra, romance, interesses pessoais e humanos, mitologia, crenças, invenções próprias, etc. É muita dedicação e imaginação.
          O anime teve duas temporadas de 13 episódios cada, uma pelo estúdio Gonzo e outro pelo estúdio Fuji Television [tentando lembrar se senti essa diferença, mas já se vão quase 10 anos que assisti..]. O anime não conta toda história do manga, na verdade é uma pequena parte, e também tem um filme em CGI (que é uma forma de animação 3D, em que, teoricamente, os personagens e cenários são mais próximos da imagem real [mas e o que é real pra você?]) de 2016: Gantz:O [disponível na Netflix], da Digital Frontier, que conta mais uma parte, como uma continuação, mas não engloba o resto da história. O mangá tem 37 volumes, e foi lançado no Brasil pela Panini, também há um jogo para Playstation 2.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Trilogia Feita de Fumaça e Osso




Autora: Laini Taylor

Gênero: Romance, Fantasia
Editora: Hachette Book Group
Trilogia: Daughter of Smoke and Bone (Feita de Fumaça e Osso)
Days of Blood and Starlight (Dias de Sangue e Estrelas)
Dreams of Gods and Monsters (Sonhos com Deuses e Monstros)

Night of Cake and Puppets (Noite de Bolo e Marionetes)






          Com o passar dos anos a gente acaba ficando cada vez mais exigente com relação às histórias, tanto em livros quanto em mangás ou filmes, etc.. O que percebi é que, como diz o ditado: Nada se cria, tudo se copia. Então o que passamos a buscar são cópias originais. Um livro sobre um amor impossível [Romeu e Julieta?], entre criaturas de raças diferentes [A Bela e a Fera?], em um mundo onde a magia e a guerra estão tão presentes como o ar que se respira [O Senhor dos Anéis?]. Feita de Fumaça e Osso (Daughter of Smoke and Bone) é uma trilogia sobre esse amor, em meio a guerra entre duas raças, em um mundo paralelo. Séculos de guerra separam Anjos e Quimeras, uma raça tentando exterminar a outra. Em meio a essa batalha nasce o amor entre Karou, quimera, e Akiva, anjo, e com eles nasce um sonho de paz entre as espécies.


"Hope is the real magic, child."


          Karou é uma jovem de cabelos azuis, estudante de arte, que mora em Praga, e que em seu tempo livre busca dentes de diferentes espécies em diferentes partes do mundo para sua família, que é composta do que se chamaria de monstros. Ela tem de conciliar suas duas vidas, mantendo a magia e suas viagens, ocultas das pessoas da Terra. Apesar disso ela mantém tomos de desenhos realistas sobre essa vida oculta, onde toda espécie de monstros é apresentada. Para seus amigos humanos, ela apenas tem uma imaginação incrível, e ela descobriu que a melhor maneira de esconder a verdade sobre essa vida paralela é dizer que tudo é verdade. Humanos tem uma incrível capacidade de ignorar a verdade que está bem na sua cara, desde que essa verdade seja incompatível com suas crenças.





          Sua melhor amiga é Zuzana, uma jovem muito pequena, com aparência de boneca de porcelana, capaz de te reduzir a cinzas com um olhar. Zuzana herdou a tradição de sua família como marioneteira [palavra que fica muito esquisita traduzida.. puppeteer soa muito melhor..]. Há um livro que conta um pouco mais sobre essa personagem: Night of Cake and Puppets. É uma espécie de OVA, do primeiro livro, contando como ela conheceu Mik. Achei interessante porque na série parece meio estranho o Mik se envolver e ajudar Karou, com tamanho empenho, sendo que ele mal a conhece. Lendo esse OVA dá pra entender mais de sua personalidade, o que deixa as coisas mais claras. Além disso, é uma história muito bonitinha.





"Life doesn't need magic to be magical."








Autora: Nascida em Chico, Califórnia, se formou em Inglês pela universidade de Berkeley. Vive com seu marido, que é ilustrador, e fez a ilustração de alguns de seus trabalhos. Para maiores informações visite o blog dela: lainitaylor.com. No blog dá pra ver mais fotos dela, outros trabalhos e uma apresentação muito legal dela mesma [em inglês..], e também um link para os trabalhos de seu esposo, Jim Di Bartolo.





C.P.: Ando com uma preguiça monstro de fazer o que quer que seja, mas essa é uma história que te dá vontade de entrar e ser um personagem e visitar Praga, e conhecer os cenários por onde Karou passou, e viver um conto de fadas também. E apesar de ser um romance, a história não foca só nisso. Há todo um mundo, e suas civilizações e uma guerra e ser dissipada. O livro também trouxe um novo conceito de quimera, diferente daquele que vemos em mitologias. E como dito no início, é preciso inovar pra manter a atenção de velhos leitores.


"You were true to her, even if she was not to you. Never repent of your own goodness, child. To stay true in the face of evil is a feat of strength."

sábado, 7 de janeiro de 2017

Atentado Político

         Enquanto me amarravam firmemente e me aplicavam a injeção letal, só me restavam alguns momentos pra viver e nenhum remorso pelo que eu havia feito, fiz o maior dos sacrifícios pelo bem da humanidade, antes que mais mal pudesse ser feito eu tirei a vida dele.

         Foi uma fração de segundo, o dardo acertando o pescoço, os olhos lustrosos se revirando, o homem foi ao chão, o veneno funcionara, pessoas confusas, correria, gritos. O caos dominando a todos e em seguida eu que estava jogado ao chão, incapacitado, ondas de choque correndo pelo meu corpo, fui esmagado contra ao asfalto molhado e algemado, mas nada disso tirou de mim o sorriso. Fiz o que era preciso ser feito mas não sou um assassino frio e cruel, como pode ter parecido para muitos, nem nunca machuquei ninguém. Familiares, colegas, seguidores, apoiadores, simpatizantes, pensei no sofrimento de todos eles, pensei nas milhares dessas pessoas gritando de horror pelo que fiz a ele, mas isso enquanto bilhões de outras pessoas comemoravam com esperança não por aqui, mas por vários lugares.

         Ele se foi, e eu logo iria...

         Ser executado pelo Estado, foi a sentença oficial. Eu soube que apelos foram feitos ao meu favor, mas foram todos em vão. Me disseram também que eu evitaria a injeção se convencesse a todos que eu era louco, clinicamente, mas a verdade é que a razão e sanidade é que me permitiram fazer o que fiz, eu não podia ignorar o que estava acontecendo ao mundo. Os investigadores concluíram por fim que  eu não poderia ser diagnosticado como criminalmente insano, descobriram na verdade que eu havia sido durante minha vida "um membro respeitável e querido da sociedade, uma ameaça menor que qualquer outro cidadão", exceto, claro, pelo homem matei.

         Enquanto os sedativos faziam efeito em meu corpo, tentei escapar do medo e concentrar em pelo que sacrifiquei minha vida, relaxei,  sorri e fechei meus olhos para a luz da sala, o padre presente na hora da execução assim como manda a lei, se aproximou pesadamente e ajoelhou-se ao meu lado. 'Você percebe que irá direto ao inferno?' pensei em como a ideia de inferno em minha opinião estava longe da que ele imaginava, era minha menor preocupação, me preocupava mais o inferno que muitos vivenciam em carne e osso, eu abri meu sorriso um  pouco mais e ele respirou fundo, 'Acho que vc precisa saber que o sucessor do homem que você matou planejou toda essa situação'. meus olhos se abriram por completo para a luz gritante na sala branca, em minha face não havia expressão. 'O que você fez foi por nada'.
                                                                                          


         Essa pequena história foi fortemente inspirada na letra da canção punk The Man I Killed da banda punk norte-americana NOFX, conhecida pelo forte teor político e críticas a filosofias fanatistas, políticos controversos como George W. Bush e organizações como a NRA - Associação Nacional de Rifles, uma organização que busca promover a armamentação da população americana.
       
NOFX em Budapeste, Hungria, 15 de agosto de 2013.

         Outra influência é o filme Taxi Driver - Motorista de Taxi (1976) onde um ex-soldado se torna um taxista mas logo se vê revoltado e frustrado pelo que vê e sofre nas noites da cidade onde trabalha, a revolta cresce até que ele planeja cometer um atentado contra um candidato a senador.

Robert De Niro, como o taxista. O sorriso é outra marca do personagem.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Chiara Bautista



          Fã de ilustrações que sou, não poderia deixar de mostrar ao mundo [ou ao pequeno mundo que tiver o acaso de visitar este blog..] o trabalho da mexicana Chiara Bautista. No momento, meu mundo das ilustrações é movido tanto por ela quanto por Ilya Kuvshinov, esta última costuma retratar coisas atuais como animes e games, ou ilustrações de pessoas aleatórias que ela observa no metrô. Gosto do estilo absolutamente inconfundível das duas. As ilustrações de Chiara tem um bônus de contar um incrível conto de fadas atual sobre um amor impossível. A autora não costuma se mostrar ao público, sendo um trabalho quase anônimo, que pode ser acompanhado por sua página no Facebook. Ainda assim, alguns sites conseguiram entrevistar a autora e descobrir a ligação entre ela, que seria a personagem Milk, e Ilka, o homem que seria a inspiração e autor de muitas das histórias ilustradas. As entrevistas podem ser lidas, em inglês, nos sites da Beautifulbizarre.net e da Urban-muse.com, onde ela conta um pouco sobre o processo de criação, músicas e inspirações. 
























quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Entre a Solidão e a Liberdade

         Presa em minha torre e em meu tédio, uma princesa abandonada à companhia de um monstro voraz. Se eu tentar escapar à minha sina, o temível dragão me devorará. Em minha torre de pedra fria, aguardo que o indolente destino se decida por mim: devo viver em tédio ou morrer em agonia? Ambos parecem o mesmo, de onde me encontro. Tenho a minha disposição apenas uma janela, de onde vejo as estações se sucederem sem trégua. Chuva. Sol. Neve. Névoa. E o vento que leva as folhas e espanta o calor. De minha torre vejo a natureza mudar, porém de companhia apenas tenho meu algoz, que aguarda pacientemente que eu me canse da languidez dessa vida torpe e me decida por pular. 
         No meio desta floresta distante, somente a natureza muda. Ninguém passa por aqui, até mesmo a velha bruxa me abandonou. Disse-me que um príncipe me traria a liberdade em breve, e que a perdoasse o inconveniente. Anos se passaram, e aqui estou eu, à espera de meu salvador. O lugar parece ter vida própria: toda noite a bagunça que faço é arrumada, e toda manhã a comida está servida quando acordo. Tenho à minha disposição dezenas de livros, mas já os li, além disso, o conhecimento já não me apraz. Aqui nesta torre solitária, o conhecimento é mera vaidade. Posso passar horas meditando e observando o fogo da lareira no inverno. Qualquer que seja minha conclusão, ela será só minha, não há com quem compartilhar. 
         Li, certa vez, que a nossa espécie teme a solidão. Digo que já a temi, mas por convivência a aceitei como velha companheira. Como posso estar só em companhia da Solidão? Longos dias e noites mais longas ainda. Esperar é um ato temerário. Apostar que o melhor vai acontecer ou só temer o que estar por vir? Por mais que busque respostas para essas perguntas, elas são sempre respostas momentâneas, e mudam de acordo com meu humor.
          E, não tão tarde assim, chega meu herói salvador. Destemido ele mata o dragão, numa batalha longa e sangrenta. Muito cortês, ele me ajuda a sair de meu cárcere. Liberta de meu tédio, tenciono agradecê-lo imenso, porém subindo em seu cavalo, ele me olha e diz benevolente: Meu trabalho está feito. A princesa da torre está em liberdade. Aproveite-a bem, nem todos tem a sorte de possuí-la. E cá estou eu a vê-lo partir, coberto de sangue, criando seu caminho pela floresta. E cá estou eu, trilhando meu caminho, pela floresta sombria, em companhia da Solidão e da Liberdade.


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Um Cavalheiro é Simplesmente um Lobo Paciente

          Fui tomado por simbólico, coisa que certamente não sou. Eis que durante um encontro entre amigos, entre um drinque e outro me pediram que esclarecesse um fato referente a uma primorosa dama. Não é correto jogar a lama a honra de uma mulher, mas deixar seus amigos entediados em uma festa também não é fato corriqueiro. Pus-me então a desvelar um detalhado retrato do ocorrido, senão em realidade, pelo menos em minha imaginação já um tanto enevoada pelo avançar da noite, com o sucessivo esvaziar e encher de copos. Bem sabido é - disse eu, com a voz um tanto pastosa - que D. Charlotte, possuidora de ostensivos mamares - tinha de falar na linguagem deles, para impressiona-los de imediato - já não possui a tão estimada capacidade de ruborizar! Poderia ter parado aí, envergonhado de minha atitude pouco cavalheiresca, contudo o vulgar expresso nos olhos do populacho me atrai mais que a bebida amarelenta e gelada, que mais uma vez me foi servida. Com os olhos semicerrados, como se para me lembrar melhor do ocorrido continuei meu relato, apesar de ser o torpor do álcool a me pesar os sobrolhos. Estava eu, um quarto para as nove, postado a frente de um portal, bem conhecido de vocês, quando vi um vulto coberto por uma capa negra de veludo. - tem que se admirar a minha capacidade poética, dando o devido peso ao fato de eu não estar mais me aguentando no meu. - O vulto se movia rápido, com a cabeça encoberta. Mas olhos de águia como sou e bom de formas, logo reconheci o contorno do voluptuoso corpo de Charlotte. - Tenho que confessar que percebi meu exagero nos olhos um tanto duvidosos de meus companheiros. Tomei um pequeno gole e me refiz do golpe de minha vaidade ferida. Como ousavam duvidar de minha palavra? - Como era noite entrada, e não faz meu feitio levantar falsos testemunhos, passei a seguir o objeto de minha dúvida. - Olhei em torno para me certificar de que havia reganho a atenção e carinho de meus camaradas de noites infindas, e então prossegui.

          Ao perceber que alguém se assomava em seu encalço, a impudente dama apressou o passo, e eu o meu. O medo pareceu domina-la, então ela correu, derrubando o capuz que encobria sua identidade. Num movimento surpreendentemente sublime, assomou e desceu-lhe pelas costas seu brilhante e sedoso cacheado louro. - Agora sim! Todos olhavam atentamente, aguardando o momento em que eu a desmascararia, relegando-a a mais subjugada humilhação. Como a humanidade é torpe, pensei, e como sou um perfeito e digníssimo representante dela. Olhei-os do alto, com toda a superioridade presumida de quem sabe mais, respirei fundo e continuei meu relato. - Perturbada pelo ocorrido, ela voltou-se, e mirou em mim seus olhos de fera acuada. Por um instante me perdi na floresta selvagem de seus olhos verde escuros. Me aproximei e ela estacou, com olhos suplicantes. Toquei seu queixo com minha mão enluvada e disse-lhe num sussurro: Não me olhes tolamente doce criança. Bem sabias o que te esperava ao sair a estas horas, com o corpete mal ajambrado. Coloquei o braço em torno de seus ombros e levei para casa meu troféu recém-conquistado. - Olhares de deslumbre me eram dirigidos de todos os lados. Sorri, meu sorriso mais viscoso, terminei minha bebida e deixei o local. Uma saída triunfal, uma bela história e mais uma reputação destruída.




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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Karma

Tem uma hora que as coisas não fazem muito sentido. Então, o que se poderia pensar senão que realmente estamos num ciclo eterno de reencarnações? Eu tenho a forte impressão de que, em uma vida passada bem próxima, fui um escritor. Um daqueles velhos escritores falidos, viciados em uísque e cigarro, abandonados pela esposa. Esposa esta que fugiu com meu melhor amigo. Isto explicaria a desconfiança e o desgosto pela iníqua humanidade. E lá está ele, sentado no lugar mais escuro e imundo do bar, quase desmaiado, remoendo seu ódio, sem forças para levantar. E cá estou eu, remoendo dores desconhecidas, sem saber que caminho tomar.